A importância do tratamento psicológico e farmacológico na depressão

O ser humano é, por constituição, biológico, psicológico e social, e necessita ser visto em totalidade a fim de ser compreendido de maneira integral e satisfatória. Cada pessoa apresenta um perfil diferente, e, por essa razão, na conduta do tratamento para depressão, tanto a psicoterapia quanto a prescrição medicamentosa são importantes para que o sujeito possa apresentar melhora no quadro de humor deprimido.
De acordo com a subjetividade e particularidades de cada pessoa, diversas modalidades de tratamento podem ser indicadas no plano terapêutico do sujeito com depressão. Medicações, apoio psicológico, grupoterapias, tratamentos holísticos não são excludentes, mas complementares.
A farmacoterapia, ou tratamento medicamentoso, é indicada para os casos moderados a graves de depressão, nos quais o sujeito necessita de intervenção de ordem fisiológica nos sinais e sintomas da doença, devido à incapacidade na esfera psicossocial causada pela mesma. Para que a farmacoterapia promova algum efeito terapêutico, é necessário um período de quatro a seis semanas até haverem respostas nos sintomas da depressão.
Os efeitos adversos são as causas mais comuns para o abandono do tratamento farmacológico, por conta disso, uma forma de reduzir esse abandono do tratamento é levar em consideração aspectos individuais para a escolha das medicações que sejam mais adequadas para cada indivíduo, como os sintomas predominantes, a experiência prévia, a preferência do paciente e os efeitos secundários. É extremamente importante que, antes de quaisquer trocas e (ou) abandono de medicações, um médico seja consultado antes, a melhora do transtorno depende fortemente da adesão do sujeito ao tratamento por um período de tempo significativo.
Quanto aos tratamentos psicoterápicos, estes são sugeridos para quase todos os casos, e são aliados necessários para melhora do quadro depressivo, aumento da qualidade de vida e desenvolvimento de competências para lidar com situações estressoras do cotidiano e possíveis frustrações, além de possibilitar a identificação de possíveis novos episódios e aumento da auto-estima. A psicoterapia deve ser recomendada de acordo com o caso e a demanda de cada paciente, para que este possa buscar e se beneficiar da intervenção terapêutica que melhor se ajuste às suas necessidades, como a psicoterapia de apoio, psicoterapias psicodinâmicas, terapia interpessoal, comportamental, cognitivo-comportamental, de grupo, de casais e de família. Enquanto o tratamento farmacológico diminui a intensidade e a frequência dos sintomas, o tratamento psicoterápico tem a função de agir nas questões mais subjetivas e psicológicas do paciente que podem influenciar de maneira significativa na melhora ou piora do quadro.
Quanto mais precoce for o início do tratamento, melhor, pois haverá maiores chances de ter uma resposta satisfatória às terapêuticas, ressaltando que uma boa aderência, envolvimento da família e implicação do próprio sujeito é essencial para que se possa obter resultados satisfatórios.
Tanto o tratamento farmacológico quanto psicoterápicos tem por objetivo melhorar a qualidade de vida, diminuir as possibilidades de internação hospitalar, prevenir o suicídio, reduzir a persistência de crises depressivas e evitar a recorrência da doença.
Referências
SOUZA, F. G.M. Tratamento da depressão. Rev. Bras. Psiquiatra. 1999, vol.21, suppl.1, pp. 18-23. ISSN 1516-4446. https://dx.doi.org/10.1590/S1516-44461999000500005.

